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A dica
de leitura deste mês não é um romance, ainda que a história se passe num
país tão distante e exótico (para nós) que é a China. A narrativa, que
aborda memórias familiares de três gerações de mulheres, bem que poderia
ser confundida com um épico. Porém é uma história real que se passa em um
país real.
Em Cisnes Selvagens – Três Filhas da China,
tomamos conhecimento de três mulheres que vivem todos os percalços e
dificuldades impostas não só ao sexo feminino, mas também a toda a
população chinesa diante de guerras e governos autoritários.
A autora do livro é uma das personagens. A saga
inicia-se com sua avó, que é forçada a render-se aos ditames da
aristocracia então reinante. Já durante o período da guerra civil chinesa
(que durou vinte e dois anos e cujo número de mortes foram na casa dos
milhões) nasce sua mãe, que irá enfrentar o início do período comunista. A
autora entra genealogicamente na narrativa quando o comunismo encontra-se
plenamente estabelecido sob o comando do governante comunista Mao Tse-tung,
e com seus pais exercendo cargos de importância no governo.
Uma boa parte do livro é voltada para o período
que vai da vitória de Mao Tse-tung em 1949, que sela o final da guerra
civil chinesa, até 1976, ano de sua morte.
Período esse turbulento, com mortes decorrentes da
fome, perseguições e da chamada “Revolução Cultural”. No plano psicológico
a autora nos mostrará como se dará paulatinamente a desconstrução do “deus
Mao”, então onipresente na vida da família de Jung Chang e nas dos demais
chineses.
Em Cisnes Selvagens
encontraremos um relato fidedigno da China na maior parte do século XX. Um
livro a altura do país que é berço de sistemas filosóficos e religiosos
como o Confucionismo e o Taoísmo, e de algumas invenções como a seda, a
bússola, a impressão e o papel – e também da pólvora.
Por Rodolfo Verano Iozzi
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