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repente o sonho da vida eterna vira caos social aliado a dramas pessoais;
uma peça pregada pela Morte. É assim que você poderá especular sobre a
história contida na obra As Intermitências da Morte. Mas para ter
certeza é bom você ler o livro. Expondo
resumidamente o conteúdo, a idéia é mostrar como a ausência da morte pode
influir de forma prejudicial na vida de um país. Somos provocados pela
leitura do livro a compreender como instituições tão diversas como Estado,
Igreja e Economia têm de lidar com a súbita chegada da imortalidade, que
em um primeiro momento pode parecer uma vitória, mas que com o passar do
tempo se mostra um problema para todos.
Fica complicado explicar sob o contexto religioso
como a ausência da morte possa ser ruim para o país fictício no qual se
desenvolve o enredo, porém logo no começo do livro talvez encontremos a
chave da explicação para essa contradição: na verdade é a Morte que se
rebela contra seu papel de vilã, suspendendo por tempo indeterminado sua
função, verdade seja dita nada nobre.
A personificação da Morte é uma idéia que não faz
sentido, mas no livro sua insurgência possibilita compreendermos o
conflito entre aquilo que muitos desejam e a realidade crua da nossa
existência terrena. Seus contornos humanos e o entrelaçamento das
instituições diante da situação inusitada dão o tom de bom humor da
história. Não deixe de ler.
Por Rodolfo Verano Iozzi
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