|
Inauguramos
com este artigo a coluna Resenhas do Palpitao.
Nossa intenção é levar ao leitor sugestões de bons
livros para leitura, por isso não iremos concentrar-nos
necessariamente nas publicações mais novas ou em moda.
Neste mês abordaremos o livro Alguém para Correr
Comigo. Um dos protagonistas deste romance é Assaf,
garoto que se encontra de férias e arruma um emprego
temporário na prefeitura de Jerusalém, em Israel,
enquanto seus pais viajam pelos Estados Unidos.
Quem irá correr com Assaf não é
uma pessoa, como a princípio podemos representar
mentalmente, mas uma cadela de nome Dinka. Assaf irá
descobri-la por acaso (ou talvez seja a cadela quem o
encontre), para então aventurar-se pelas ruas de
Jerusalém, cidade conhecida não apenas por ser
considerada a capital de Israel pelos judeus, mas também
pelo Muro das Lamentações e pela Mesquita de Omar, ou
Cúpula da Rocha como costuma ser nomeada.
Israel tem sido palco de
constantes conflitos entre judeus e palestinos e xiitas,
fartamente divulgados pela imprensa. A Autoridade
Palestina reclama para si a parte oriental da cidade,
onde pretende instalar a capital de um futuro estado
palestino.
Em termos geográficos Jerusalém
está dividida em Cidade Antiga e Cidade Nova. Na
primeira temos um muro que cerca a parte histórica da
cidade por situar lugares sagrados como a Via Dolorosa,
onde Jesus teria percorrido com sua cruz rumo ao
Calvário. Possui bairros cristãos, judeus e mulçumanos.
Na parte nova temos uma população que é formada
predominantemente de judeus e onde se localiza o
parlamento israelense.
O livro trata dos desafios da
juventude frente a temas como fidelidade e drogas. Os
jovens predominam no livro e a lealdade é sempre
realçada, cujo ponto central será outro protagonista que
embasa a trama. Se a história antiga e contemporânea de
Israel nos acostumou a enxergar Jerusalém como local de
disputas sangrentas por domínio territorial, distante do
nosso contexto social por incluir elementos como
homens-bomba, radicalismo religioso e ódio racial, ao
corrermos juntos com Assaf e Dinka por suas ruas
descobriremos que pelo menos os desafios de pessoas
comuns de lá são muito parecidos com os nossos.
Por Rodolfo Verano Iozzi
|