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Essa
é a lenda de uma menininha que costumava jogar
amarelinha ao lado de uma velha e aborrecida lagoa do
bairro.
Todas as vezes que a pequenina brincava, algumas
pedrinhas teimavam em cair na lagoa. Era só a criança
lançar a pedra e pronto, lá ia a danada juntar-se a
todas as outras.
Gostava tanto da brincadeira, que de nada adiantavam as
broncas da mãe, cada vez que entrava molhada em casa,
vítima do mau tempo. Sua rotina favorita era essa: fazer
a lição de casa e, mais do que rapidamente, correr em
direção da estagnada porção de água. Brincou nesse lugar
por anos a fio, até que a chegada da puberdade veio
alterar os costumes da adolescente.
Passado algum tempo, a jovem notou com estranheza e
espanto, que algumas pessoas passavam ao lado de sua
casa e lhe enviavam um alegre sorriso. Ficou intrigada
com o fato e resolveu que era hora de investigar o
motivo de tamanha satisfação daquelas pessoas, até que
se deu conta de que os conhecia.
Lembrou-se dos trabalhadores que habitavam as redondezas
da rasa lagoa, e de suas súplicas junto ao poder
público, para que fosse construída uma ponte que ligasse
uma margem à outra, evitando assim, as longas e
cansativas caminhadas.
Voltou então ao antigo local de divertimento e viu
surpreendida, que as diversas pedrinhas amontoadas no
fundo das águas ao longo dos anos, pavimentavam agora um
novo e precário caminho. Percebeu ainda, que os filhos
dos trabalhadores jogavam amarelinha e sorriam
satisfeitos, todas as vezes que um pedregulho rolava
água abaixo.
Diante de maravilhoso quadro, compreendeu o porquê de
tantos sorrisos, afinal, sua brincadeira inocente era
responsável por drástica mudança.
Nesse exato momento, nasceu na jovem o mais puro sentido
do voluntariado. Mais do que depressa, arregaçou as
mangas e se pôs a brincar com a criançada, para que
juntos, aperfeiçoassem o arriscado caminho, beneficiando
toda a comunidade.
E
assim formou-se na localidade, uma corrente do bem. O
exemplo da menina era passado de geração em geração,
para que os mais novos compreendessem que o auxílio
verdadeiro, não exige coação e tampouco a necessidade de
um agradecimento, ele permite apenas um breve e
verdadeiro sorriso de felicidade.
Você já fez alguém sorrir hoje?
Por Malu Iozzi
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